Coração batendo, respiração forte, movimentação lenta. Tudo fica mais ofuscante e tudo mais difícil de ser feito, mãos suadas. Nessa hora tudo para, nessa hora tudo cala, não se ouve nenhum ruído, a não ser os sons de marteladas que seu coração parece emitir. Olhares profundos, respiração rasa, palavras quase não saem, só sente aquele intrigante frio na barriga que parece infinito. De repente, aquele pano gigante, se não me engano vermelho, se abre! E logo depois de só ver sombras através da cortina, começamos a ver rostos diferentes, pessoas que nunca vimos! Não é estranho? Exibir todos nossos mais profundos seres diante de pessoas que provavelmente nunca mais nos verão? O calor do palco quente nos motiva, o suor causado pelas luzes do teatro, tão fortes, escoam pelo rosto. É como se o momento em que encaro a platéia e digo meu texto, tudo parasse e fosse infinito! Tantas expressões faciais diferentes, tanto do ator, como da platéia! Não saber se estão gostando, ou se estão detestando, basta sentir com o coração, e confiar! De repente, deixamos o último ponto final, aquela multidão que está sentada diante de nós, se levanta! Gritos e aplausos, todo aquele suor seca, o frio da barriga acaba, e só nos vem UM pensamento: “Acabou, trabalhei, me dediquei, e agora, acabou. É, Dever cumprido!” E pode ter certeza, após as cortinas se fecharem, por dias seguintes o eco da platéia ainda fica na nossa cabeça, e a saudade de tudo aquilo aumenta. E então, retorno inúmeras vezes para aquela sensação, e sempre retornarei, pois o teatro vicia! O Teatro é minha vida, e o palco me ilumina, tantas histórias, tantas vidas, Eu sou o teatro.
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